sábado, abril 30, 2005

O Que Foi Não Volta a Ser

Eu trago um buraco no futuro
traz presentes fugidios
e memorias de navios.
Traz tanta confiança
que se é sempre criança
mesmo quando nao se quer,
o que foi nao volta a ser

E o que foi nao volta a ser
mesmo que muito se queira
e querer muito é poder,
e o que foi nao volta a ser.

Pode vir algo melhor
embora sempre pareça
que o pior esta por vir.
Nunca se deve esquecer
que nao há volta sem partir
e o que foi nao volta ser.

E o que foi nao volta ser
mesmo que muito se queira
e querer muito é poder,
e o que foi nao volta a ser.

Xutos e Pontapés

Esta é uma música que me diz muito.
Agradeço a esta banda inesquecível por esta e tantas outras composições de qualidade que marcam a vida de tantos homens...

sexta-feira, abril 29, 2005

DÁ-ME ALGUÉM PARA AMAR

Senhor, quando eu tiver fome, dá-me alguém que necessite de comida;
Quando eu tiver sede, dá-me alguém que precise de água;
Quando eu tiver frio, dá-me alguém que necessite de calor.
Quando eu tiver um aborrecimento, dá-me alguém que necessite de consolo;

Quando minha cruz parecer pesada, dá-me a compartilhar a cruz do outro;
Quando eu me achar pobre, põe a meu lado alguém necessitado.
Quando eu não tiver tempo, dá-me alguém que precise de alguns dos meus minutos;

Quando eu sofrer humilhação dá-me ocasião para elogiar alguém;
Quando eu estiver desanimado, dá-me alguém para lhe dar novo ânimo.
Quando eu sentir necessidade da compreensão dos outros, dá-me alguém que necessite da minha;

Quando eu sentir necessidade de que cuidem de mim, dá-me alguém que eu tenha de atender;
Quando eu pensar só em mim mesmo, volta minha atenção para outra pessoa.
Torna-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos

que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje!
Dá-lhes através de nossas mãos, o pão de cada dia,

e dá-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a Paz e a Alegria!

(Madre Teresa de Calcutá)

Esta é uma das orações que mais rezo, é das mais belas que conheço. Reflecte exactamente o sentido que procuro dar à minha breve existência...dar a vida, em cada palavra, gesto e situação. Uma vida que não vem de mim, mas que me pertence, e que me é dada gratuitamente para gastar.
Sinto-me às vezes como uma ampulheta...não é angustiante quando jogamos aqueles jogos em que temos um tempo determinado pela ampulheta para completar a prova, e não conseguimos chegar à solução, à resposta certa, à verdade?!...nunca sabemos exactamente qual o tempo que a ampulheta guarda, mas vê-lo escorrer nos nossos dedos é exasperante...
Como escorre o nosso tempo? Será que ainda estamos longe da verdade que nos faz sentido? Será que ainda não nos conhecemos o suficiente para saber qual a nossa essência e plenitude?
Se não as conhecemos, se não nos conhecemos, nunca saberemos o que é para nós ser felizes. E aí viveremos eternamente à procura da felicidade...quando ela está aqui. O Reino é uma promessa que se concretiza em cada dia, e por isso eternamente, e não somente na eternidade!
E para mim, tal como diz o Salmo 73, a felicidade é estar perto de Deus.
Um abraço aos meus amigos bloggers,
Dabar.

quinta-feira, abril 28, 2005

Qual o segredo da vida?

O segredo é amar.
Amar a vida com tudo o que há de bom e mau em nós.
Ouvir a hora breve e apetecida,
Ouvir todos os sons em cada voz, e ver todos os céus em cada olhar.

Amar por mil razões e sem razão.
Amar só por amar, com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade,
E ver, na própria sombra, claridade.

O segredo é amar, mas amar com prazer,
Sem limites, fronteiras, horizontes.
Beber em cada fonte,
Florir em cada flor,
Nascer em cada ninho,
Sorver a terra inteira como um vinho.

Amar o ramo em flor que há-de nascer
de cada obscura, tímida raiz.
Amar em cada pedra, em cada ser,
S. Francisco de Assis.

Amar o tronco, a folha verde,
amar cada alegria, cada mágoa,
Pois um beijo de amor jamais se perde
E cedo refloresce em pão, em água!

Fernanda de Castro

(dedicado a quem bem o procura fazer, e dá a sua vida por isso)

O Velho Sabiá

Guarda o íntimo do coração.
Não o exponhas ao julgamento insensível.
Não te deixes trespassar pelo olhar que não vê.

Não derrames o teu íntimo.
Enxuga o rosto, enfeita-o
com a tua simplicidade e bondade.
A inocência é um dom.

Vive o que vale a pena.
Com sentido.
Mas nem sempre consintas o que sentes.

Procura dentro de ti.
Descobre-o à tua volta.
Ama com liberdade.

Boa noite, Abba...

Senhor, na imensidão da Tua presença
Um silêncio envolve minh’alma desanimada
A pobre segue em vão, desnorteada
A busca estéril da sua existência.

No íntimo de cada ser há uma procura de verdade
A vida não faz sentido sem uma identidade
E a voz que me fala baixinho faz-me acreditar
Que há um Deus em mim, que me ama sem cessar

Mas há momentos em que a duvida me assola
Há alturas em que nada me consola
E então preciso que me dês um sinal, não importa qual
Desculpa Pai, por ser tão difícil uma entrega total.

quarta-feira, abril 27, 2005

Unidos em Ti

Olhei à volta e vi a revolta no rosto do Homem só
A vida vazia, a alma à deriva, à procura… (de quê?)
E o coração em solidão bate sem esperança,
E o olhar sem futuro implora alegria
É preciso mudar, acreditar que Tu dás sentido ao que quero viver

Vem irmão, estende a tua mão,
Vem construir a igreja viva de Cristo!
Liberta as amarras e abre o coração,
Porque a vida é tão mais bela em união...
Unidos a ti, (Pallotti)
Unidos em Ti.

Marca a diferença, semeia o perdão e impõe a razão do amor
A união faz a força pra construir um Homem melhor
É urgente amar, sem medos nem condições,
Porque a vida que se entrega gera vida.
É urgente amar!

Em memória da Turminha (os cinco!!), de uma noite bem passada, e das coisas que realmente fazem sentido...
Aqui reside tudo
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
(...)
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegarà vida

Porque somos todos, somos um

por Fernando Costa Andrade

Deus em nós e em Tudo!
A Vida que vence a Morte!
O Amor que vence o próprio Homem!

Que me quereis, perpétuas saudades?

Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.

Luí s de Camões
Ditoso seja aquele que somente

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.

Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.

Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

Que nós ouçamos sempre a voz da mudança que Deus grita em nós...

segunda-feira, abril 25, 2005

Desalento



Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu chorei
Que eu morri
De arrependimento
Que o meu desalento
Já não tem mais fim
Vai e diz
Diz assim
Como sou Infeliz
No meu descaminho
Diz que estou sozinho
E sem saber de mim
Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar
Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos
por Vinicius de Moraes

À beira-mar...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


por Florbela Espanca,

Em memória das palavras que não morrem no coração.
Em memória dos sentimentos que ridicularizam a razão.
Em memória dos dias em que o tempo é um mero espectador
Do amor que controla o ritmo da vida.

Em tua memória...

Repouso...

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

por Fernando Pessoa

Apaixono-me...

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.

Amor

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Será que alguem alguma vez melhor descreveu o indescritível?!...

sábado, abril 23, 2005

A estrela que deixou de brilhar

Sem eu ter sido o que fui
Nunca tu serias o que és
Eu não digo nem ai nem ui
Ando no mundo aos pontapés

A dor é grande é imensa
Que é preferível não falar
Hei-de ter a recompensa
Quando de ti me afastar

Eu sou o que à vista não se vê
Não devo nada a ninguém
Sou aquilo em que se crê
E se acredita também

O silêncio participa
Mais do que possas supor
Nem por sombras antecipa
O estar calado com dor

Cai a chuva no Outono
Cai no Inverno a geada
Meus sonhos ao abandono
De ti não espero mais nada.

Quem és?...

Sou como um puzzle,
Com mil pedaços encaixados e outros
Tantos por encaixar.
Uns fazem sentido, não mexo mais;
Outros nem por isso. São peças paralelas
Que vou escolhendo ao longo da vida,
Mas sem a certeza da sua perfeição geométrica.
E quando me sinto apertado,
Desencaixo-me novamente, baralho tudo de novo.
Porque um puzzle não se acomoda nem se conforma.
E remodela-se constantemente, nas mãos de quem o vive e constrói.
E dia após dia completa-se a imagem do puzzle,
Conta-se a minha história,
Perfaz-se quem eu sou…

Qualquer caminho leva a toda a parte

Qualquer caminho leva a toda a parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte de ir ou ficar,
do nosso corpo ou espírito,
tudo é estático e morto.
Só a ilusão tem passado e futuro, e nela erramos.
Não há estrada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.
Tenhamos pra nós mesmos a verdade
de aceitar a ilusão como real
sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal salvo nunca parar, dentro de nós,
consigamos a viagem sempre nada, outros eternamente, e sempre sós;
nossa própria viagem é viajante e estrada.
Que importa que a verdade da nossa alma seja ainda mentira,
e nada seja a sensação, e essa certeza calma de nada haver,
em nós ou fora, seja inutilmente a nossa consciência?
Faça-se a absurda viagem sem razão.
Porque a única verdade é a consciência e a consciência é ainda uma ilusão.
E se há nisto um segredo e uma verdade
os deuses ou destinos que a demonstrem do outro lado da realidade, ou nunca a mostrem,
se nada há que mostrem.
O caminho é de âmbito maior que a aparência visível do que está fora,
excede de todos nós o exterior não pára como as coisas, nem tem hora.
Ciência? Consciência? Pó que a estrada deixa
e é a própria estrada, sem a estrada ser.
É absurda a oração, absurda a queixa.
Resignar (-se) é tão falso como ter.
Coexistir? Com quem, se estamos sós?
Quem sabe? Sabe [... (que são?
Quantos cabemos dentro em nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão.

Tensão

Eu sinto que não,
Talvez sim, e então?...
Talvez não, e enfim!
O porquê desta razão:
O acabar neste fim…
E tu, que sentes por mim?

A solidão...ou somente o diálogo entre Deus e o Homem! Posted by Hello